Terremotos no Vale

Terremotos no Vale

Com o sonho de morar na California, vem junto nesse “pacote” o receio de passar por um terremoto. O que não sabemos (ou sentimos) é que terremotos acontecem todo dia ao nosso redor…

Somente no nesse mês (Novembro de 2014), foram 20 terremotos acima de 4.0 logo ali, em Nevada. Nos últimos 30 dias, foram 9 – incluindo um 4.7 entre Monterey e San Luis do Bispo. Terremotos fazem parte da nossa vida do vale, então o jeito é estar preparada pra eles…

Por conta disso, assim que cheguei começei a ler mais sobre terremotos. Red Cross, Earthquake.org e várias outras agências foram minhas fontes. O básico, aprendi, mas percebi que existem outros detalhes sobre o assunto que ficam nas entrelinhas.

terremoto

Não adianta correr… Mas por quê?

Toda regra de segurança contra terremoto diz que você não deve tentar correr para sair do prédio onde está. Estudos mostram que, durante um terremoto, o seu objetivo deve ser o de não se machucar para, após os tremores subsequentes (os chamados ‘after-shocks’) você então poder sair de onde estiver e procurar ou prover ajuda.

Foi numa visita ao Tech Museum em San Jose que aprendi o porquê dessa regra – e recomendo a visita a todas.

Lá você encontra um simulador de terremotos que dá a noção exata do que é o tremor. Eles começam com terremotos pequenos (3.0, 3.5…) e vão aumentando até chegar no de 9.5 – simulando o grande terremoto do Chile de 1960. Assim, independente se o tremor é médio ou forte, você aprende que NÃO CONSEGUE correr. E, se tentar, suas chances de se ferir aumentam consideravelmente.

Duck, cover and hold on’ ou ‘Triangulo da Vida’?

A regra difundida e considerada oficial é o de ‘Duck, cover and hold on’, que significa você se proteger embaixo de algum móvel resistente. Esse é, inclusive, o procedimento ensinado em escolas, empresas e pela própria Red Cross.

Há, no entanto, uma segunda teoria: a do ‘Triangle of Life’. De acordo com ela, quando um prédio cai a estrutura quase sempre esmaga os móveis e, consequentemente, a pessoa que está embaixo dele. Ao mesmo tempo, quando essa mesma estrutura cai esmagando tudo, ela cria um espaço perto dos móveis esmagados. É como se o móvel passasse a sustentar aquela estrutura que desabou… Quanto mais forte e grande o móvel, maior o espaço criado. A teoria é de que, se você ao invés de ficar embaixo do móvel, ficar do lado dele, você vai se beneficiar desse espaço criado e não será esmagado e nem se machucará.

As críticas à segunda teoria é de que ela pode ser prejudicial em alguns casos onde um móvel pesado pode cair na sua direção. Outro ponto, é que as chances de um prédio cair são consideradas bem menores do que as de você se machucar seriamente por objetos e móveis caindo sobre você ou por vidros estilhaçando na sua direção – o que reforçaria a teoria de que o ‘Duck and cover’ salva mais vidas.

Pessoalmente, consigo ver prós e contras nas duas teorias e ainda me questiono qual procedimento é o melhor. Acabei optando por entender os dois procedimentos e esperar que, se um dia me ver numa situação como essa, eu consiga me beneficiar de uma delas.

Fique alerta

Cadastre-se em um (ou mais) dos diversos sistemas de alertas oferecidos na Califórnia. Você pode fazer o setup da intensidade do tremor e em que região do mundo. Como terremotos são comuns, você não quer ficar recebendo milhares de alertas, mas somente os relevantes para você. Sugiro tremores acima de 4.0 ou 4.5 e na costa oeste somente.

Alertas no Cell: https://earthquake.usgs.gov/ens/
Tweets: http://earthquake.usgs.gov/earthquakes/ted/
http://earthquake.usgs.gov/earthquakes/feed/v1.0/

Você e sua família – aqui e no Brasil

Se acontecer um terremoto de grande magnitude, há uma chance da comunicação cair e as cidades se tornarem  caóticas… Uma coisa que aprendi vivendo em NYC durante o ataque de 2001 é que leva em torno de três dias para que a situação se normalize e para que o socorro começe a acontecer de forma organizada.

Isso me leva a três conclusões:

1) Que você e sua família daqui precisam lembrar que a comunicação normal (telefonia, televisão, internet) pode não estar disponível – então, é preciso planejar levando em consideração isso. Se vocês não puderem se comunicar, como se encontrar? Combinem um local de encontro e um número único para ligar para confirmar que estão bem – de preferência de um amigo fora do estado ou da cidade onde mora.

2) É importante que sua família no Brasil tenha conhecimento desse período de três dias caóticos quando eles podem não receber notícias por causa da situação, e não porque vocês estão machucados. Isso pode ajudar a conter um pouco da ansiedade e preocupação nesses casos – mesmo que a gente saiba que eles ficarão tranquilos de verdade somente quando eles receberem notícias suas.

3) Informe-se. Sempre. Conheça os procedimentos de emergência e suas opções. Isso pode fazer diferença.

Mas, acreditem, depois de um tempo vivendo no vale a gente acaba acostumando com a idéia de ter terremotos. Mesmo que haja sempre a esperança de que nunca precisaremos de nada disso, que o “Big One” nunca chegue e que nossa vida no vale continue a mesma de sempre!

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Mais informações sobre como se prevenir em terremotos:

Brasileiras do Vale
http://www.wikihow.com/React-During-an-Earthquake
http://www.redcross.org/prepare/disaster/earthquake

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2018-01-05T01:35:26+00:00

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