Está na hora de voltar para a escola? (parte I)

Está na hora de voltar para a escola? (parte I)

Parte 1: O que considerar antes de tomar essa decisão

Essa é a primeira parte de uma série de três posts sobre as possibilidades de estudo nos Estados Unidos. O conteúdo de toda a série foi baseado na minha experiência e na experiência de outros brasileiros que estudaram em diversos outros programas.

Para muitas pessoas, mudar de país não é só trocar de endereço, mas também rever planos de carreira, resgatar sonhos antigos ou adotar novas ambições. Voltar a estudar pode fazer parte dessa nova vida, principalmente quando a situação de visto impede a entrada no mercado de trabalho. A Bay Area conta com uma boa quantidade de instituições de ensino bem reconhecidas mundialmente como UC Berkeley, Stanford e outras, mais conhecidas em determinados campos de atuação, como por exemplo a UC San Francisco na área de saúde. Nesse post, eu abordo educação formal, ou seja, cursos que possuem formação acadêmica, não incluindo os cursos livres.

Quando me mudei para os Estados Unidos eu estava matriculada em um curso de nível superior no Brasil, e tinha planos de voltar para concluí-lo, portanto a decisão de estudar durante meu período aqui foi quase natural. No entanto, em outras circunstâncias, essa não seria uma decisão fácil. É preciso considerar fatores como o tamanho do investimento financeiro e os reais benefícios de voltar a ser estudante em relação aos seus objetivos pessoais. De forma nenhuma sou especialista no assunto educação, mas compartilho aqui algumas coisas que aprendi nos últimos anos.

Benefícios de voltar a estudar

Sem dúvida, o maior benefício é a experiência de aprender em uma outra cultura. Embora muita coisa seja parecida com o Brasil (leituras, aulas explicativas, trabalhos), a cultura americana valoriza muito a participação em sala, algo que muitos alunos com quem conversei disseram não estar acostumados. Outro traço cultural é a relação mais próxima que se estabelece com os professores, que acabam se tornando contatos importantes para o futuro. Além disso, as universidades americanas atraem os melhores professores de todos os países. Por isso, muitas vezes em vez de simplesmente ler o livro de determinado autor, você tem ele como professor, o que é excelente. Outro grande benefício é que muitas escolas têm programas de carreira. Essas instituições já têm um relacionamento estabelecido com empresas que confiam na qualidade da escola e que buscam profissionais que estão em vias de graduar. Isso pode facilitar muito na busca por um emprego mais tarde.

Alguns pontos a serem considerados

Custo: Estudar nos Estados Unidos é muito caro. Um curso de mestrado custa em torno de 40 a 100 mil dólares, dependendo da escola. É possível obter financiamento, junto a diversos programas, porém esse é todo um processo à parte que deve ser bem pesquisado. No caso de MBAs, vale a pena entrar em contato com a área de Admissions da escola, já que algumas delas possuem parceria com bancos para oferecer empréstimos sem a necessidade de um co-signer americano. Algumas escolas, como é o caso de Berkeley, oferecem descontos para quem é comprovadamente residente do estado da Califórnia.

Tempo: Enquanto mestrados duram de um a três anos, sendo mais comum o de dois anos, o doutorado varia bastante e, normalmente, para muito mais. Um exemplo é o doutorado em Sociologia que, em média, leva oito anos. Além da duração, há também a carga horária de cada curso. Um programa em tempo integral deixa pouco espaço na agenda para outras atividades. (veja abaixo a duração dos diferentes tipos de certificados.)

Objetivos: Se sua única razão para estudar é voltar ao mercado de trabalho, é importante se informar sobre a necessidade de um curso formal para a área em que você quer atuar. Algumas profissões exigem mais do que o certificado, como é o caso do direito que só pode ser exercido por pessoas que passaram o Bar, equivalente ao exame da Ordem dos Advogados no Brasil.

Porém, muitas profissões permitem que o conhecimento seja comprovado através da apresentação de um portfólio, como a fotografia ou design. Nesses casos, há várias alternativas ao curso formal: fazer cursos rápidos, buscar mentores que possam orientar a criação de um portfólio, estudar por conta própria com livros e internet. O livro “Don’t Go Back to School” tem o depoimento de várias pessoas que conseguiram alcançar seus objetivos profissionais sem nem mesmo fazer faculdade. (Mais sobre o processo para se candidatar a uma escola no próximo post dessa série).

Não se esqueça também de que, caso você volte a morar no Brasil, existem exigências para a revalidação do certificado obtido aqui .

 

Avalie qual o melhor curso para o seu momento

– Associate Degree: Envolve diplomas associados a programas de dois anos e possui um currículo mais generalista, já que não é necessário escolher um major. Não é o mesmo que a nossa faculdade no Brasil, mas os créditos cursados no Associate Degree contam para uma futura formação como “Bachelor”. Os “Associate Degrees” são oferecidos em instituições particulares, mas também em “Community Colleges”, porém em ambos os casos, os cursos são pagos.

– Bachelors Degree: Equivalente aos cursos superiores no Brasil e em geral os programas são de quatro anos. Uma coisa um pouco confusa é que no Brasil, chamamos isso de “graduação”, enquanto aqui esse é o “Undergraduate”, quando se fala em “Graduate” trata-se do mestrado. Também não se escolhe uma carreira. Quando o aluno começa o processo, ele deve ter uma idéia do que quer estudar, mas essa decisão vai ser feita, depois, na escolha das matérias a serem cursadas. Para concluir o curso, é preciso ter um ou dois “majors” (áreas de concentração) e é opcional ter um “minor”, uma área em que você fez menos cursos do que as do seu major, mas que ainda fez o número mínimo de cursos. Assim como o “Associate Degree”, o “Bachelor Degree” pode ser feito em “Community Colleges”.

– Masters: É considerado um equivalente no nosso mestrado, porém diferentemente do Brasil, o mestrado aqui não requer a apresentação de uma proposta de pesquisa, defesa de tese, e assim por diante. É uma versão avançada do Bachelor. Alguns programas não são oferecidos para o nível de masters, como Sociologia e Antropologia. Nestes casos, o aluno precisa se candidatar ao PhD e cursando o equivalente a um Master + PhD na sequência.

– PhD: É voltado para quem realmente quer ser pesquisador e acadêmico. Para se candidatar ao PhD é preciso apresentar uma proposta de pesquisa e explicar qual é a relevância do tema (mesmo que durante o curso o aluno decida mudar de tema). Essa proposta precisa ser aceita antes do início do programa. Normalmente os alunos de PhD recebem uma ajuda de custo enquanto estão estudando.

Conclusão

Espero que essas dicas sejam úteis para quem está pensando em voltar a estudar. Essa é uma decisão muito individual e quanto mais informação melhor. Se você tem dúvidas sobre esse tema que não foram esclarecidas nesse post, essa conversa continua no blog e no Facebook. Deixe a sua mensagem.

 

Para saber mais:

Reportagem da revista Time sobre Educação Superior

Livro: Don’t Go Back to School – Kio Stark

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2017-07-18T09:55:16+00:00

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One Comment

  1. Lidiane May 1, 2015 at 11:26 am - Reply

    Pra variar…
    Excelent post!

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