Sweet Street Store

Sweet Street Store

‘Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos’  Winston Churchill

Duas grandes amigas se reencontram após terem perdido contato por um bom tempo e  juntas, elas trazem a ‘Street Store’ até San Jose, California!

Dinize Wales e Soraya Zanco, amigas a mais de 18 anos, arregaçaram as mangas nesse último dia 26 de setembro e conseguiram mobilizar mais de 41 voluntários – dois americanos e 39 brasileiros (desses, 15 eram “Brasileiras do Vale” 😉  – alcançando em torno de 200 pessoas carentes na região de San Jose, California.

Dinize conta que o fato que mais lhe surpreendeu no dia do Street Store, foi entender o quão pouco os clientes de sua loja realmente precisavam. Havia um senhor pedindo meias e Dinize lhe ofereceu cinco pares. Ele só levou dois; dizendo que ‘era tudo o que precisava’. Também nos cita a enorme gratidao e generosidade entre as famílias de rua. Amigos, pegando roupas para amigos que por diversas razões, não podiam estar lá.

O maior imprevisto do dia foi que faltaram artigos masculinos. Mas esse problema foi resolvido rapidinho, graças a um voluntário americano.  Ele se dispõs NA HORA a ir até a loja Target mais próxima e comprar um terno e mais umas outras peças. Boa vontade e muito amor ao próximo, transbordavam na ‘Street Store’! Veja abaixo a emoção desse senhor ao entrar na loja a procura de um terno para sua entrevista:

Era nítido que todos os brasileiros da nossa comunidade, aqui na Bay Area, queriam ajudar.  Só precisávamos mesmo  de uma inspiração; Soraya e Dinize foram as mãos dessa inspiração! E todo mundo veio correndo atrás rs! Foi um evento emocionante.

Por sermos brasileiros, conhecemos a pobreza de perto e ao chegarmos aqui nos EUA, vemos tanta fartura, tantas coisas materiais a preço de banana rs e vamos comprando, acumulando, enchendo nossos ‘closets’, garagens, até que uns anos se passam e nos deparamos com algo assim…e acordamos.

Ao final do evento todos os voluntarios compartilhavam no Facebook mensagens sobre como suas vidas foram abençoadas com essa experiência, como estavam se sentindo diferentes em relação a seus próprios estilos de vida.

Muitas vidas foram tocadas; tanto as das pessoas carentes quanto a dos voluntários – os carentes sentindo-se respeitados, importantes: muitos deles não entravam em uma loja há anos! Havia uma senhora que estava se deliciando em escolher vestidos, experimentava-os e dizia aos voluntários:

-Ai esse ficou pequeno em mim, toma, vou experimentar esse outro, obrigada! – como numa loja de departamento 😉

E os voluntários, por sua vez, olhando para dentro de si e se questionando: ‘para que tenho tanto? Do que me vale tudo isso? Que delícia dividir o que tenho, doar o meu tempo! Obrigada você!’ 😉

Acredito que uma das lembranças mais doces que ficara em nossas memórias e a dessa senhorinha – foto abaixo – que ao encontrar uma sapatilha de criança, cheia de brilho, a calça e sai pela loja dizendo:

-Olha! Olha! Eu sou a Cinderela!!! – e posava felicíssima para fotos e mais fotos com os voluntários. Pediu para que tirássemos fotos dela com as crianças (sim as crianças também estavam envolvidas nesse aprendizado), queria ser filmada e todos nós ficamos imersos em sua alegria de viver – viver na rua, sem nada…somente com sua grande fé. E ao partir, nos disse assim:

-Essa loja nao devia chamar ‘Street Store’, mas sim ‘Sweet Store’ (‘doce loja’); ‘because you are all so sweet!’ (porque vocês todos são pessoas tão doces!).

Ela e muitos outros de nossos amigos da rua, nos deram uma lição de vida: temos muito o que agradecer a eles. Muito.

Tive orgulho do nosso povo, pois vi ali qualidades que sao pertinentes a nós brasileiros: aquela alma gentil, de compaixão, prestativa, que se sente super a vontade não só em doar mas principalmente em amar, abraçar, conversar, ouvir o próximo de uma maneira muito natural. Isso é quase que um dom.

E as duas amigas já avisam que vão repetir a dose: em Dezembro 2015 tem mais um Street Store – ou melhor: Sweet Store!

E você? Vai perder essa oportunidade!? Entre em contato direto com Dinize Wales (Dworganizing@gmail.com). De repente, você esta aí em casa, sem poder trabalhar, esperando aquele visto que nunca chega rs! Vem para rua! Ajude a quem precisa pois o maior ajudado será você mesmo 😉

Nos vemos no próximo Sweet Store, Brasileiras!!!
E se você participou do Street Store San Jose ou de outro evento voltado à comunidade, compartilhe aqui sua história com as outras Brasileiras do Vale.

 

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2017-11-18T20:36:28+00:00

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One Comment

  1. Vilma Peccin September 30, 2015 at 8:16 pm - Reply

    Olha, esta “Sweet Street Store” mexeu muito comigo. Há algum tempo venho refletindo no fato de como posso fazer pra me tornar menos consumista, já que não preciso de muito e há muitas pessoas que conseguem viver com tão pouco. Conversei bastante tempo com uma moradora de rua durante o evento. Ela me ensinou algumas coisas e me fez refletir. Agora pergunto a vocês. O que você faz quando acorda à noite e quer fazer xixi? Vai ao banheiro? Ela não. Ela tem medo de deixar os pertences e a filha dela de 25 anos sozinha (que sofre de esquizofrenia). Pra driblar, ela usa fralda descartável e faz xixi ali mesmo. O que você faz quando tem fome ou fominha? Vai até a cozinha e pega algo para comer? Ela não. Espera que alguém passe por ali no parque e lhe dê algo de comer. Você está feliz porque vai ser avó, vai ter um sobrinho, priminho, etc? Ela não. A filha, que tem esquizofrenia, foi levada para um lugar, deram-lhe drogas, abusaram sexualmente dela e ela engravidou de gêmeos. Sua filha não entende o que tem na barriga. Diz à mãe que tem uns gatos movendo na barriga dela. Você tem armários, gaveteiros, etc pra guardar suas coisas? Ela não. Gostaria de ter, pelo menos, um carrinho destes de supermercado pra acondicionar seus (poucos) pertences porque quando tem que se locomover de um lado pro outro, tem que levar consigo todos os seus pertences. Não é muito e nem pode ter muito. O que faz quando tem sono? Deita na cama e dorme confortavelmente? Ela não. Tem medo, esconde-se pra dormir no parque ou em algum estacionamento. Mas se a polícia a pega, diz que ali não pode dormir e aí tem que sair pra procurar outro lugar. Os “shelters” estão lotados. Você tem medo de ir preso? Ela não. Disse que a polícia a levou presa por dois dias. Ela adorou! Pôde dormir tranqüila, sem se preocupar com nada. Disse que dormiu bastante. Relaxou na prisão. Você está de bem com Deus? Ela não. Pensa que Deus se esqueceu dela. Quer morrer. Quer que Deus se lembre dela e de sua filha. Você tem seguro médico? Ela não. Cortaram todo tipo de assistência dela. Ela desabafou comigo. Eu ouvi. Bem, é isto e muito mais. Gostaria de compartilhar com vocês pra que reflitam. Depois deste Street Store, com certeza não serei mais a mesma. Vou participar, com certeza, do próximo. Bjs

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