Grávida no Vale – As Escolhas de Marina

Grávida no Vale – As Escolhas de Marina

Seguindo nossa série “Grávida no Vale“, a Mari Vidigal conta um pouco como tem sido as escolhas relacionadas esse período.

Quer dividir com a gente sua experiência? Entre em contato! Às vezes o que parece diferente só pra gente, faz todo sentido pra quem lê. Ou o que parece tão normal, é tão diferente para quem nunca passou por isso.


13231028_10153388784376371_1704983172_nE de repente grávida. Sim, foi tudo planejado, mas ninguém me contou que podia ser tão rápido. Estava a dois dias de uma viagem de 6 semanas pela Europa cujos principais objetivos eram esquiar e beber vinho. Não precisa nem dizer que tive que mudar os planos, né?! Feliz, sem dúvida, mas no primeiro momento, muito mais assustada do que feliz – eu não sabia nada sobre gravidez e nem sobre bebês.

No dia seguinte ao positivo, fiz uma visita a minha Médica de Família (Primary Care Doctor), a Dra. Saba, uma americana/Indiana HIPER fofa que ficou eufórica com a notícia e não pensou duas vezes antes de me abraçar. Ela me deu várias dicas boas e até perguntou se eu queria levar um remédio em caso de enjoo. Primeira burrada da gravidez: recusar o tal do remédio!

Como ainda estava muito no começo, eu não queria contar nem para os meus pais e nem para os amigos próximos que encontrei durante a viagem. Então disfarçava ao máximo e recusava as tacinhas de vinho (que tanto amo) com a maior naturalidade do mundo. Tudo o que eu queria era dormir, e MUITO. O enjoo e a sonolência duraram 3 meses, e nesse tempo não cansei de repetir “ter filho deve ser muito bom, porque a gravidez é tão ruim e a mulherada não para de repetir”. Nesse período não fui a pessoa mais disposta, e nem a mais legal do mundo. Eu estava mais preocupada em entender o que estava rolando com o meu corpo e seguir suas vontades. Também ouvi dezenas de pitacos sobre o que podia e não comer ou beber  – na dúvida, pergunte para seu médico/nutricionista, e feche seus ouvidos para todas as outras pessoa. No final das contas aprendi que a gravidez é uma jornada de aprendizado e de muita paciência, em que o exercício “entra por um ouvido e sai pelo outro” é pra lá de importante.

Tudo isso, para começar a falar de uma das decisões mais importantes da gravidez: o parto. Eu sabia pouco sobre o assunto e apostei em uma linha mais tradicional. Só que me frustrei com o sistema e mudei completamente de decisão. Abaixo segue a jornada de uma pessoa desinformada que acabou optando por um caminho mais natural e está FELIZ DA VIDA com a decisão.

A obstetra

De volta a Califórnia, chegou a hora de fazer o primeiro ultrassom e ver se estava tudo bem com o babynho e conhecer a obstetra ban-ban-ban, e hiper bem recomendada pela Dra. Saba.

Essa primeira consulta com a obstetra foi uma das coisas mais estranhas da minha vida. Cheguei repleta de dúvidas, querendo saber mais sobre os próximos passos da gravidez e quais recomendações ela teria de repelente – eu embarcaria para o Brasil em dois dias para passar Natal e Ano Novo com a família. A doutora fez pouco caso para minhas perguntas, me deu um livrinho “The Pregnancy Guide” e disse que tudo o que eu queria e precisava saber estava escrito alí. E quanto ao repelente, “ligue para a farmácia e veja o que eles recomendam”. A consulta levou menos de 5 minutos, saí triste pensando que as consultas com a Dra. Saba e até com o meu ortopedista eram MUITO mais explicativas. Eu não estava tratando de uma dor de garganta ou de uma inflamação no joelho, estava conversando com a mulher que “colocaria meu filho no mundo” e não senti NENHUMA firmeza.

No final da tarde, a obstetra me ligou, ela havia recebido os resultados do meu ultrassom e disse que haviam 2 probleminhas. Eu estava com menos de 3 meses de gestação e já a ouvia mencionar  a palavra cesárea. Como brinde, ganhei mais um ultrassom para a volta do Brasil, e uma bagagem de preocupações maiores do que a Zica.

A Zica

De volta aos Estados Unidos, a Zica havia tomado os noticiários. Mesmo depois da segunda ultrassom que descartou os problemas, a obstetra voltou a a tratar a minha gravidez como de risco. Frases como “Toda vez que eu ouço falar de Zica eu penso em você”, “gravidez de risco como a sua” começaram a se tornar parte do meu dia-a-dia. Ela nunca falou em fazer o exame de  sorologia, mas marcou mil ultrassons detalhados, e exames desnecessários (fiquei com uma leve impressão de que como tenho um convênio muito bom, a mulher se aproveitou para ganhar um pouquinho mais de dinheiro – e eu virei um ratinho de laboratório).

Durante as consultas, a doutora continuava ocupada demais para minhas perguntas, e tocando sempre no ponto da cesárea – na clinica dela “eu como Brasileira e já bem acostumada com cesárea, teria a chance de escolher”. Com sua delicadeza de hipopótamo e habilidade péssima de comunicação, ela não parava de me alarmar. Passei algumas tardes chorando de preocupação com meu pequeno e super desconfortável com a médica. Eu precisava mudar, e rápido!

A mudança

Meu caminho normal era procurar uma nova obstetra, meu marido preferia que o parto fosse no hospital de Stanford, já eu, naquelas alturas estava pouco ligando para o hospital. Eu só queria uma médica que me tratasse com atenção, que tivesse tempo para as minhas perguntas e que não me tratasse como número – no fundo o que eu queria mesmo era importar minha médica do Brasil, mas como isso não era possível…

Assim, comecei a bater papo com algumas amigas e colegas brasileiras grávidas. Recebi MUITAS indicações do El Camino Womens’s Group, e até tentei marcar consulta com a ginecologista brasileira. Infelizmente a secretária não entendeu minha urgência e nem minha angústia, com 22 semanas de gravidez eu não queria uma médica para daqui a um mês, eu queria um pouco mais rápido e me coloquei a disposição para qualquer horário ou cancelamento que surgisse. Ela não me deu muita bola, e aceitei a consulta mesmo longe. E enquanto isso,  comecei a buscar outras alternativas. Li reviews de mais de 20 médicas diferentes aqui na Bay Area, e as palavras “too busy for my baby” não paravam de assombrar a minha tela de computador. É… ter um filho é mais difícil do que eu pensava, e essa era apenas uma das inúmeras decisões que eu tomaria nos próximos meses.

De obstetra a parteira

Quando falei para o meu marido que estava cogitando trocar a médica por uma parteira – em hospital, dica-se de passagem – ele surtou defendendo que um médico estaria mais pronto para enfrentar eventualidades no parto do que uma parteira e questionando os anos de estudo. Mas quanto mais eu lia e estudava sobre o assunto, mais o lance da parteira tinha a ver comigo. Eu nunca quis fazer uma cesárea a toa (continuo aberta a uma caso seja necessário) e via com bons olhos (e um medo do tamanho do mundo) o tal do parto natural. E foi num bate-papo com a Angela que fiquei sabendo da escolha dela pela parteira e da clínica super legal que ela estava indo, a Bay Area Maternity. Entrei no site e me apaixonei. Um approach hiper humano, bem focado na mãe e bem realista – era isso que eu queria!

O Gu, meu marido, ainda estava receoso com a ideia, e não quis vir comigo. Mas me viu tão feliz, relaxada e empolgada na volta que deixou suas incertezas de lado e logo topou o Midwifery way. Alguns dias depois – veja só o senso de urgência BEM diferente – passei pela minha primeira consulta. E foi o máximo! A parteira (também conhecida como Obstetriz em português) realmente estava interessada em mim e no meu bebê, falou de alimentação, de vitaminas e deu várias dicas bem úteis. Saí tranquila, relaxada e com a certeza que meu pequeno está em boas mãos.

A parteira também me abriu os olhos para várias coisinhas que são consideradas praxe, que são feitas porque “tem que fazer”, mas que não são necessariamente a melhor escolha. Quer alguns exemplos? Ao nascer, por praxe os bebês recebem um colírio no olho, uma dose de vitamina K, e vacina de Hepatite B. Isso sem falar na circuncisão dos meninos e no banho que todo mundo recebe. Tendo as informações, você tem a opção de decidir o que faz e o que não faz sentido para seu filho, e escolher.

Para mim a possibilidade de aprender e escolher estão sendo as principais experiências dessa gravidez. Escolhi trocar uma obstetra que me angustiava e me enchia de preocupação por um grupo de parteiras competentes e preocupadas comigo e com meu filho. Escolhi o que faz sentido para minha dieta, e os exercícios que devo ou não fazer. Escolhi deixar o vinho de lado e incluir caminhadas diárias na minha rotina. Só fiz essas escolhas porque estou rodeada de amigas conscientes, de boas fontes literárias, e agora, de profissionais competentes me orientando. Que as próximas escolhas sejam tão conscientes como essas primeiras!

Mari



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Marina Vidigal mora na Califórnia há quase 3 anos. Atualmente é editora do IdeiasnaMala.com – um blog sobre viagens. Sua função: inspirar um mundo a sorrir mais, se divertir mais e ver o lado colorido da vida.

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2017-11-18T20:14:54+00:00

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