Vitrine Taciana e Fernanda – Projeto Founders

Vitrine Taciana e Fernanda – Projeto Founders

Taciana Mello e Fernanda Moura são fundadoras do Projeto Founders – “The Girls on the Road”, que procura mulheres empreendedoras pelo mundo com o objetivo de inspirar mais mulheres a empreender . O Brasileiras do Vale entrevistou as duas para conhecer mais a fundo o projeto.


Contem um pouco sobre o que faziam no Brasil e o que levou a mudança para os EUA (por que, como aconteceu e quando)?

Nós duas já havíamos morado nos EUA e o desejo de voltar sempre esteve presente. Os filhos da Taciana nasceram nos EUA e sempre foi uma idéia trazê-los para fazer o segundo grau e universidade aqui. Assim, em 2013, enquanto eles foram em um programa de intercâmbio para o Canadá, viemos para os EUA para identificarmos um local para eles estudarem e nos estabelecermos.

No Brasil, nos duas trabalhávamos em consultoria de negócios. Fernanda, que é advogada e tem um MBA em business e gestão de projetos, trabalhava com estratégia na Deloitte. Taciana, que tem formação em Marketing e Comunicação, atuava como diretora de marketing na PwC.

Como começaram com a ideia do projeto e como fizeram sair do papel?

Na Califórnia, próximo ao Vale do Silício, foi natural nos envolvermos com empreendedores e startups. Com o tempo percebemos que a maioria de fundadores eram homens. Raramente tínhamos contato com empresas fundadas e/ou lideradas por mulheres. Essa observação nos levou a querer pesquisar sobre o tema e descobrimos, em vários relatórios, que essa é a realidade na maioria dos países. A desigualdade entre os gêneros está fortemente presente no campo do empreendedorismo.

Por meio dos relatórios identificamos os três maiores desafios que as mulheres encontram: difícil acesso a investimento, falta de autoconfiança e poucos modelos de inspiração femininos.
A ideia do nosso projeto foi buscar mais modelos de mulheres para servir de inspiração às que já empreendem ou que querem dar o primeiro passo.
Em quatro meses passamos da ideia ao pé na estrada. O primeiro passo foi desenhar o projeto como um todo: nosso objetivo, a motivação, como seria a execução e o produto final. Escolhemos países com motivações distintas de empreendedorismo, impulsionadas por inovação, processo e necessidade.

Desenhamos como um Minimal Viable Product (MVP). Os EUA, Canadá e México estão servindo para testarmos nosso modelo e já identificamos várias melhorias que devem ser implementadas para os demais países.

Quais foram os maiores desafios?

Para confirmar o que lemos em diversos relatórios, o primeiro grande desafio que estamos enfrentando é a questão do financiamento. No momento estamos “self-funding” e “crowdfunding”, o que tem sido também um grande desafio. Muitas pessoas adoram a idéia mas não a ponto de contribuir para a campanha.

Acreditamos que quando tivermos um “piloto” do que serão os episódios, ficará mais fácil de atrair patrocínio para o projeto.

Outro grande desafio é gerenciar o projeto como um todo pois somos apenas nós duas para cuidar de toda logística, contato e realização das entrevistas, mídias sociais etc.

Contamos com o suporte de uma amiga, Miriam Keller, para nos ajudar com a pesquisa preliminar sobre os países e seu ambiente empreendedor (empreendedoras e organizações que apoiam empreendedorismo).

Tiveram algum mentor? Alguém inspirou ou orientou vocês diretamente?


No início, tivemos a mentoria de dois amigos, com larga experiência em negócio, para a concepção da proposta de patrocínio e linhas gerais do projeto.

Atualmente, contamos com a mentoria de outro amigo para desenharmos os próximos passos ao final do projeto.

Curiosamente, uma grande inspiração para o projeto foi a CEO de um banco na Islândia, Halla Tómasdottir, um dos poucos que sobreviveu à crise financeira de 2008. O banco liderado por mulheres cujo lema se baseia em investir “no que elas entendem” e não em modismos. O que as salvaram do “quebra-quebra” ocorrido.

Ela argumenta que: mulheres não são avessas ao risco, mas conscientes dele e por isso, muitas vezes, são má interpretadas.

O projeto é claramente uma fonte de inspiração para mulheres que empreendem ou querem empreender. Qual a visão que vocês têm quando terminarem?

Acreditamos que esse é só o inicio. Temos intenção e já estamos trabalhando para que ao final do projeto tenhamos uma atuação contínua de suporte ao empreendedorismo feminino. A ideia é continuar trazendo estórias de mulheres empreendedoras aliadas a iniciativas como, por exemplo, uma plataforma de informação para adolescentes sobre empreendedorismo, um “matchmaking” entre co-founders, etc. Temos certeza que durante o ano teremos várias outras ideias que poderemos implementar ao final.

Qual o perfil de mulheres que vocês procuram?

Nosso objetivo é buscar diversidade. Nossas empreendedoras podem vir de diversas indústrias, idades, experiências etc. O foco é retratar mulheres comuns (“the girl next door”), que tomaram a iniciativa de criar seu negócio e têm uma história interessante e inspiradora para contar. Empresas entre 2 a 5 anos, pois acreditamos ser importante trazer mulheres no início da jornada para que a inspiração seja mais próxima da realidade da maioria, apesar de que também entrevistaremos empreendedoras com larga experiência.

Qual dica vocês dariam a quem está começando a trilhar esse caminho com projetos voltados a mulheres? Empreendedoras ou não?

Nossa dica é que você comece! Não fique paralisada com tudo o que acha que precisa saber e fazer. Peça ajuda e converse com pessoas que possam contribuir e fazer críticas para que você reflita.

Não significa que tenha que fazer os que os outros acham, mas é fundamental ter opiniões de pessoas que vejam sua iniciativa sem o envolvimento emocional.

O que vocês gostariam de saber antes de terem começado o projeto e que poderia ter maximizado o tempo/recurso durante o processo?

Gostaríamos de ter mais experiência com mídias sociais. Ainda estamos trabalhando para encontrar nossa linguagem e estilo para poder engajar homens e mulheres no projeto.

Quais as próximas etapas?

Atualmente estamos na primeira fase com EUA, México e Canada. Próxima etapa será Ásia e ao mesmo tempo continuaremos com nossos esforços de captação de recursos e identificação das candidatas às entrevistas.

Como as pessoas podem ajudar?

As pessoas podem ajudar de diversas formas:

• Visitando a página do projeto “The Girls on The Road”;
• Seguir a página do projeto no Facebook e divulgar a iniciativa;
• Compartilhando o canal do Youtube;
• Indicar mulheres com estórias inspiradoras e organizações que são envolvidas com empreendedorismo feminino/empoderamento econômico nos países que visitaremos via hello@thegirlsontheroad.com.

Já contamos com o suporte de três empresas no Brasil: Mosaike, nossa assessoria de comunicação, At Home Creation, uma agência de design e Mirabilis, produtora de filmes que têm nos apoiado tecnicamente. Agora, estamos em busca de patrocínio para financiamento do projeto.

Se você tem interesse em doar ou patrocinar o projeto, entre em contato conosco pelo e-mail hello@thegirlsontheroad.com.

Será um ano intenso, cheio de aprendizados e insights pelo mundo.

Fernanda Moura & Taciana Mello
The Girls on the Road

The following two tabs change content below.

BRAVE - Brasileiras do Vale

Integrar a mulher brasileira imigrante e fortalecer a comunidade brasileira feminina no exterior.

Latest posts by BRAVE - Brasileiras do Vale (see all)

FB Comments

comments

2017-11-18T20:11:40+00:00

About the Author:

Integrar a mulher brasileira imigrante e fortalecer a comunidade brasileira feminina no exterior.

Leave A Comment