Junho, Mês do Orgulho Gay

Junho, Mês do Orgulho Gay

Junho é considerado, não oficialmente, como o mês do orgulho gay. Mas por quê?

No dia 28 de junho de 1969, a polícia invadiu um bar gay, “The Stonewall Inn”, em Nova Iorque alegando que o bar estava servindo bebida alcoólica sem licença. Naquela época, era comum ver policiais hostilizando e reprimindo bares gays, o que era incomum de se ver era a população lutando pelos seus direitos.

Nesse dia, os policiais forçaram Drag Queens dentro do camburão, quem estava por perto começou a jogar garrafas nos policiais e essa briga se transformou num protesto que alcançou bairros vizinhos. A polícia solicitou reforços.

Dias após do protesto do “Stonewall”, outros protestos ocorreram em Nova Iorque, todos pela igualdade dos direitos dos gays, lésbicas e bissexuais.

Foi o primeiro grande protesto da história pelos direitos dos homossexuais.

O ex-presidente, Bill Clinton, foi o primeiro a reconhecer o mês do orgulho gay em 2000 e depois dele, todos os outros celebraram esse mês como o do orgulho gay. O atual presidente Donald Trump ainda não se pronunciou, porém isso não significa que ficaremos caladas.

Nesse final de semana acontecerá a Gay Pride em San Francisco, não perca!

Por que o bairro Castro em San Francisco é considerado o bairro gay?

Depois da II Guerra Mundial, a população homossexual de San Francisco estava crescendo, e como a cidade era considerada tolerante, os soldados que eram expulsos do exército eram deixados lá (na Bay Area).

Nos anos 50, casais homossexuais de classe média alta foram atraídos para a Castro devido à arquitetura das casas vitorianas e lá se estabeleceram. Uma nova identidade social se formava na Castro. Eles tinham suas próprias leis, líderes e figuras públicas. As mudanças no bairro não foram apenas sociais, mas também culturais, políticas e econômicas. O poder dessa comunidade emergente da Castro causava grande influência na política de San Francisco.

Antes que o movimento pelo direito dos homossexuais fosse aceito em San Francisco, muitos gays tinham vida dupla, eles não queriam ser descobertos e tinham medo que isso afetasse suas carreiras profissionais. Muitos trabalhavam onde eram aceitos e outros trabalhavam dentro de sua própria comunidade.

Castro era um bairro para homossexuais, porém a grande maioria dos residentes eram homens, brancos e de classe alta. A ausência de mulheres era óbvia e também a população gay negra não se sentia parte da comunidade.

Com a chegada da epidemia da AIDS o bairro muda de cara novamente. Mas esse trágico acontecimento teve um impacto positivo no bairro.

Embora que AIDS e o HIV promovessem uma visão negativa do sexo gay, os esforços educacionais para combater a doença ajudaram a desmistificar as uniões do mesmo sexo e por causa disso, hoje em dia a conscientização pública sobre a homossexualidade é bem maior do que antes do primeiro caso de AIDS em 1981.

Devido ao avanço da doença, muitos homens tiveram que revelar sua opção sexual. Homens que escondiam o fato de serem gays, eram os que mais procuravam sexo anônimo e estavam em maior risco de contrair o vírus.

A crise da Aids mobilizou a comunidade de gays e lésbicas concentrando seu foco em uma única ameaça e engajando muitas pessoas que não tinham sido politicamente ativas antes. Por causa da indiferença do público em geral para esta crise, a maior resposta veio da própria comunidade gay. Os grupos com base na comunidade iniciaram serviços de suporte como ACT UP, Shanti, Project Open Hand e The Coming Home Hospice.

A Aids, que teve o potencial de destruir o movimento de libertação gay, de fato, aproximou o bairro mais do que nunca.

Outro resultado inesperado foi o novo espírito de cooperação e solidariedade entre lésbicas e homossexuais. AIDS também trouxe muitos adeptos novos à causa gay: pais cujos filhos morreram da doença; Heterossexuais na profissão médica; E pessoas que estavam começando a entender os problemas e a discriminação encontrados pelos homossexuais.

A compaixão e a solidariedade surgiram no Castro, da frustração e das perdas devastadoras para a AIDS. Antigas facções evoluíram para uma comunidade solidária. Foram formados novos serviços sociais: hospitais para quem estava na fase final da doença, educação sobre HIV e AIDS, centros para homossexuais idosos e jovens homossexuais, e o Names Project, uma sede para celebrar amados que morreram de AIDS. Uma importante fundação é a LYRIC, um centro social seguro para adolescentes gays e lésbicas, um lar longe de casa.

Hoje, as lésbicas estão mais visíveis e envolvidas no movimento dos direitos dos homossexuais. As raças estão menos segregadas. A comunidade gay asiática cresceu. Os clubes populares são menos segregados por gênero do que na década de 1970.

Estima-se que 20 a 25 por cento dos eleitores de São Francisco seja composta por gays e lésbicas. O sonho de Harvey Milk* finalmente se tornou realidade – um bairro gay com influência econômica e política.

* Harvey Milk: Político americano que se tornou o primeiro homossexual a ser eleito para um cargo público na California.

Artigos originais:

Why is LGBT pride month in June?

The History of Castro

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Érica Almeida

Nutricionista formada em São Paulo nunca imaginou que diria isso, mas sua parte favorita na casa é a cozinha. Viver bem e saudavelmente é possível, basta começar.

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2017-11-18T19:13:02+00:00

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