Por que se Adaptar é tão Difícil?

Por que se Adaptar é tão Difícil?

Cada um de nós temos motivos pelos quais mudamos para outro país. Às vezes viemos porque queríamos mudar de vida, em busca de um trabalho que nos remunere melhor, e às vezes, para acompanhar ou estar com os nossos parceiros. Seja qual for a razão, geralmente chegamos com a intenção de fazer as coisas darem certo.

Porém, às vezes, começamos a ter reações emocionais que não esperávamos. Não se assuste, você não está sozinha e existe uma solução.

Chamamos esse fenômeno de TRANSTORNO DE AJUSTAMENTO OU ADAPTAÇÃO, citado no livro de Diagnóstico Mental (DSM-V).  Esse transtorno é considerado um dos diagnósticos mais comuns dentro de uma avaliação clínica chegando a 50% dos diagnósticos psicológicos e psiquiátricos.

O que é isso?

É um quadro em que a pessoa sofre um choque emocional causado por uma mudança de vida quando exposta a situações novas em que não se tem familiaridade. Pode ocorrer a mesma coisa quando perdemos um emprego, um ente querido, divórcio, filhos que se mudam de cidade ou quando mudamos para outro país.

No caso de mudança de país, tratamos de ajustamento cultural. É comum os sintomas aparecerem quando a pessoa inicia sua nova vida social e começa a ir em busca de trabalho e de um espaço no “novo mundo”.

Nessa fase, os choques de valores começam a surgir causando estresse ao sistema nervoso central que começa a enviar alertas de que a pessoa não está segura.  As coisas podem se agravar quando a pessoa não recebe apoio e não conseguem fazer amizades no novo lugar em que está vivendo, o que a leva a solidão.

Sintomas

  • Depressão
  • Ansiedade
  • Preocupação excessiva
  • Sentimento de desesperança
  • Sensação de baixa autoestima
  • Falta de energia para enfrentar os problemas do dia a dia
  • Sentimento de incapacidade
  • Paralisação
  • Isolamento

Por que isso acontece se somos seres adaptáveis?

Começamos a aprender sobre valores desde bebês, nossos pais já com seis meses nos dizem, “não pegue isso”, “sorria para mim”, “me dê um abraço”, “comprimente as pessoas”, e assim, começamos a formar informações. Nosso cérebro então, começa a preencher as suas lacunas de informações que com o tempo irão se tornar experiências reais, formando valores do que nossa cultura considera certo e errado. Quando mudamos para outros países na idade adulta nossos valores estão formados e formatados para aceitar ou expelir novas informações para que continuemos vivendo em harmonia com os valores previamente aprendidos.

Sendo assim, o cérebro começa a rejeitar novas informações as quais não são compatíveis com que as que nós aprendemos em nossa cultura. Em muitos casos, há uma rejeição inconsciente e começamos a enxergar os valores da outra cultura como se fossem erradas e a nossa a correta.

Nessa fase é quando buscamos pessoas de nossa cultura e nos fechamos para proteger ao máximo da exposição a essa nova experiência.

No Brasil, é muito comum acordarmos e passarmos pelas ruas dizendo bom dia para o porteiro, para o rapaz da banca de revista, para o barista do café quando aqui muita vezes as pessoas não fazem tanto contato visual.  Naquele momento  a mente tende a  interpretar como “esse povo é estranho, eles não devem gostar de imigrantes, será que eles pensam ser superiores a mim?”, e assim, a mente vai escalando pensamentos negativos e fabricando ideias que muitas vezes não estão correlacionadas aos fatos, criando uma cadeia emocional de resistência e de baixa estima.

Dicas

Uma boa maneira de melhorar isso é tentar observar como o impacto do nosso pensamento negativo está afetando nossas emoções. Ao invés de pensar que “essas pessoas não gostam de mim” ou “eu não sou tão capacitado como eles”, comece a se perguntar se isso é um pensamento baseado na realidade ou nas nossas crenças e rejeições pelo novo. Sugiro que escreva em um diário os pensamentos que estão causando a emoção negativa e desafiá-los com perguntas do tipo: Quais as evidências que mostram que isso é real em meu dia-a-dia. A partir dessas observações, comece a substituir esses pensamentos por pensamentos mais positivos. Não é muito fácil a se adequar a rotina de escrever, mas vale a pena tentar. É um treinamento mental.

Uma outra dica é não se isolar, quanto mais isolamento mais os sintomas se intensificam. Na medida em que a pessoa vai se expondo a essas novas experiências, o cérebro começa a se ajustar e a aceitar novas ideias e você começa a  admirar coisas novas. Se os sintomas não passarem dentro de seis meses, é aconselhável que a pessoa busque ajuda psicológica para ganho de novas perspectivas e tratamento dos sintomas.

 

Karine Bertram (MFti)  é psicoterapeuta adulta e infantil.  Estudou em São Paulo, na Europa e Nova York. Fez seu mestrado em San Francisco. Atende clientes de toda Bay Area em português, espanhol e inglês. Seu hobby favorito é viajar, experimentação culinária e passar tempo com família e amigos.

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2018-01-26T15:57:38+00:00

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