Finalmente sinto que cheguei…

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Finalmente sinto que cheguei…

Finalmente sinto que cheguei. Depois de 6 meses aqui na terrinha da Golden Gate, já me sinto em casa. Já passei a comer mais comida asiática do que qualquer coisa, já tenho meus produtos preferidos no supermercado, os vizinhos já me conhecem e até o moço da cafeteria já sabe qual é meu pedido diário.
Confesso que não foram meses fáceis: me senti sozinha, senti que não tinha muitos amigos e houve dias em que tive vontade de voltar correndo e dormir na minha caminha láááá no Brasil.

Ficar longe de casa é transformador e nos tira da zona de conforto. Por isso, pra conseguir responder “sim” quando as pessoas perguntavam “e aí, já está adaptada?”, tive que usar da criatividade e me movimentar para tornar minha experiência a melhor possível. Por isso, compartilho com vocês algumas dicas que acredito que podem ajudar e muito a adaptação de todas.

1) Faça uma lista de lugares que você quer conhecer e de coisas que você sempre quis fazer, mas por alguma razão, sempre ficaram pra trás na lista de prioridades. Cole essa lista em um lugar de acesso diário e certeiro, como o espelho, sua estação de trabalho ou a porta do seu armário. Se preferir, transforme as palavras em imagens (fotografias ou desenhos, pq não?). Isso vai te permitir visualizar os seus objetivos, sejam eles grandes ou pequenos, mas que certamente podem fazer parte agora do seu novo eu. Tudo o que você conseguir fazer, risque com uma caneta vermelha (pelo prazer de riscar algo da lista, né, gente?).

2) Faça uma lista daqueles pequenos hábitos que você gostaria de eliminar da sua vida. E elimine. Outro dia, liguei pra minha mãe com a seguinte pergunta: “Mãe, cê lembra se eu gostava de tomar banho na hora que eu chegava do trabalho ou pouco antes de dormir”? Certamente, tomar banho não era um hábito que eu queria eliminar, haha. Mas isso com certeza me serviu pra pensar no quanto fazemos tantas coisas de forma automática, sem pensar muito bem na lógica por trás. Quer parar de fumar? Parar de dormir tarde ou acordar tarde? Utilizar menos o celular? Tome nota e veja como a necessidade de criar uma nova rotina pode te ajudar a se livrar de vários hábitos tão automáticos.

3) Abuse dos aplicativos. Quer iniciar um trabalho voluntário? Volunteer Match. Quer iniciar um novo esporte, mas não sabe qual? Tente o ClassPass. Quer experimentar comidas diferentes, mas não tem dinheiro? MealPal. Quer conhecer pessoas com interesses semelhantes aos seus? MeetUp ou Hype. Quer saber o que rola na cidade? Eventbrite. Nós estamos no Vale do Silício. Abuse disso e utilize todas as ferramentas possíveis a seu favor!

4) Invista dinheiro apenas no imprescindível. Morar no Vale do Silício não é barato. Eu tento economizar ao máximo, cozinhando em casa sempre que dá e levando pro trabalho, para nunca estourar o orçamento com coisas desnecessárias. Assim, sobra mais dinheiro para fazer aquele bate e volta pra algum lugar que você não conhece ainda, visitar aquele museu maravilhoso ou ir ao show da minha banda favorita.

5) Persiga a sua causa. Eu, como feminista que sou, não podia deixar de procurar um grupo de mulheres. O que é que te faz sair de casa pra lutar? É a proteção dos animais? A educação? Seja qual for, certamente irá encontrar algo que se encaixa com você.

6) Alimente-se melhor. Diferente do resto dos EUA, a Califórnia é conhecida por oferecer opções para todos os gostos (e para todas as exceçōes): lac-free, veganos, low-carb, paleo, gluten free and it goes on. Além disso, não é difícil notar que o acesso a orgânicos e produtos non-GMO é muito mais fácil. Aproveite isso e vá inserindo gradativamente na sua alimentação itens melhores. Quem sabe isso não passa a fazer parte da sua nova rotina?

Nessa brincadeira, já perdi uns bons quilos, voluntariei na caminhada pelo Alzheimer, conheci pessoas incríveis, joguei golf, pratiquei wakeboarding, diminuí o consumo de glúten, fui ao show do Green Day, provei comida sul-africana pela primeira vez na vida, fiz amigos de vários lugares do mundo, fui a uma aula de meditação, e a lista só continua…

Por isso, deixo o restante dos itens por conta de vocês. Certamente, viajar nos torna mais abertos a vivenciar novas experiências e fazer coisas que jamais faríamos em diferentes circunstâncias. No fim das contas, a viagem mais prazerosa de todas é aquela que fazemos para dentro de nós mesmos. 🙂

Jéssica, mineira-cruzeirense, feminista, ex-blogueira mirim e maquiadora pseudo-profissional, graças ao youtube. Filha de mineiro com cearense, irmã de um nerd digital e tia/madrinha da criança mais legal do mundo. Trabalha com consultoria e veio pra San Francisco a trabalho no auge dos seus 25 anos, mas mal sabia que o trabalho apenas seria uma pequena parte da mudança. Sagitariana, ama carnaval e samba, boas viagens e colecionar histórias, as quais sempre anota no caderninho no criado-mudo ou até no bloco de notas. Também é uma amante do meio digital, ao mesmo tempo que acredita que uma carta bem escrita vale muito mais que qualquer e-mail. Dentre seus maiores sonhos, aprender a andar de bicicleta está no topo da lista.

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2018-03-24T19:27:03+00:00

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