Lara Felipe, artista plástica, brasileira, residente nos Estados Unidos, tem uma trajetória de sucesso pela arte com exposições no Brasil e na América Latina.

Nascida em Alegre, Espírito Santo em 1971, Lara Felipe faz parte de uma geração de artistas surgida nos anos 90.

Artista plástica, designer e também publicitária, Lara se interessou pela arte nos seus primeiros anos de escola. Ingressou na Faculdade de Artes Plásticas na Universidade Federal do Espírito Santo no ano de 1990. Em 1996 expôs em uma individual pela primeira vez no Espaço de Arte da Universidade. Em 1998, depois de ganhar o Prêmio Phillips de Arte para Jovens Talentos no Brasil e na América Latina, participou de várias exposições, festivais de arte, residências artísticas e salões.

Depois de encerrar uma exposição individual no Brasil em julho 2015, a artista participou da mostra ArtBrazil 2015 que lhe rendeu o prêmio “RIVA Best in Show” escolha do júri, no ArtServe, Fort Lauderdade, Flórida, e da TRIO Bienal Internacional de Arte Contemporânea no Rio de Janeiro, ao lado de artistas renomados como Marina Abramovic, Anish Kapoor, Daniel Buren, Vik Muniz, Anna Bella Geiger, Angelo Venosa, Arthur Lescher, José Rufino, dentre outros.

Lara veio do Brasil para a América em 2011, quando casou-se com o americano Casey Brett Utecht, na fazenda dos avós do noivo em Argusville, no estado da Dakota do Norte. Em 2012 nasceu Amélia Marie, sua única filha. Lara mudou-se para o Arizona em 2014 firmando suas raízes na América. Hoje trabalha no estúdio em sua residência na cidade de Gilbert, AZ.

Sobre o seu trabalho de arte, Lara explica: “Meu trabalho artístico é resultado de um mergulho em minha memória pessoal e afetiva, de histórias de minha infância e de costumes transmitidos por meus antepassados. Minha família é formada pela mistura de ascendentes portugueses, indígenas, italianos e libaneses (meu bisavô paterno chegou do Líbano no Brasil com 16 anos, sozinho, trazendo na mala sonhos e esperança de uma nova vida trabalhando como mascate). Essa memória que carrego é rica de informações simbólicas, que elaborou a partir de referências estéticas oriundas do universo da arte e transformada em uma linguagem artística particular, com uso de diferentes mídias como vídeo, fotografia, trilha sonora, colagem, pintura, bordados e materialidades diversas como memorabilia, objetos garimpados em mercado de pulgas e antiquários e objetos achados ao acaso. Do diálogo entre a memória de minhas raízes e as trocas culturais recentes, componho esses trabalhos a fim de provocar a criação de novos sentidos, tratando de questões poéticas, artísticas de cunho estético e simbólico.

O que te trouxe para os EUA?

Me apaixonei pela Flórida em minhas viagens de visita a minha irmã, desde 2006. Essas viagens foram ficando cada vez mais frequentes e prolongadas.
Neste período acabei conhecendo meu marido e ele me apresentou a América através de nossas viagens. E viajamos bastante. Um ano depois de conhecê-lo, engravidei de minha filha Amelia Marie e me mudei de vez para cá.

Quais estímulos te fizeram uma artista e quando você notou que havia uma artista em você?

Me interessei pela arte nos seus primeiros anos de escola. Fui incentivada pelo meus pais que compravam livros e materiais de pintura e desenho. Passava o dia inteiro desenhando. Até mesmo durante as aulas. Era compulsivo.

Comecei com aulas de pintura e desenho de observação. Depois, ingressei na Faculdade de Artes Plásticas na Universidade Federal do Espírito Santo em 1990. Seis anos depois eu fiz minha primeira exposição individual. Em 1998, depois de ganhar o Prêmio Phillips de Arte para Jovens Talentos no Brasil e na América Latina, participei de várias exposições, festivais de arte, residências artísticas e salões, daí pra frente minha paixão pela arte só aumentou.

A maternidade afeta a arte? Como?

A maternidade me despertou para coisas da vida que nunca havia sentido ou me preocupado antes. Me deixou mais sensível, mais atenta. Mudou meu olhar sobre o mundo. Mas não posso negar as dificuldades que vieram com ela. Eu sofri de baby blues por dois anos depois de ter tido minha filha, então foram anos que praticamente não produzi.

Mas depois desse período, retomei o processo criativo. Precisei colocar a minha filha em um daycare para poder ter mais tempo para produzir. Passei um ano construindo meu estúdio de arte com a ajuda do meu marido e o espaço foi fundamental para meu trabalho fluir. Então, quando quero trabalhar, vou para o meu ateliê, que é anexo a casa, e mergulho no processo de criação. Hoje, eu amo meu cantinho de trabalho!

Quais os desafios da artista brasileira imigrante na sua visão?

Primeiro lugar, foi aceitar que aqui ninguém conhecia meu trabalho. Que precisaria começar tudo novamente, mas claro que já trazia uma bagagem comigo. Mas mesmo assim, eu queria desvincular meu trabalho do rótulo de “Brazilian Artist” e ser vista apenas como uma artista não importando o meu país de origem, afinal meu trabalho não carrega nenhuma identidade do Brasil, apenas minhas próprias que são relacionadas a minha história pessoal.

Como é estar concorrendo a um prêmio de arte aqui nos EUA?

Fico muito honrada de ser lembrada e reconhecida pelo meu trabalho. Me senti acolhida pela comunidade brasileira desde o primeiro momento em que pisei os pés aqui. Graças a este reconhecimento, nunca desisti de lutar pelo meu espaço, me motivando e acreditando no que eu faço.

Uma mensagem para as mulheres brasileiras que estão te lendo.

Gostaria de dizer a elas que eu entendo perfeitamente como algumas se sentem em começar uma nova jornada, numa terra distante da nossa de origem, com costumes e cultura tão diferentes da nossa. As vezes bate uma sensação de abandono e solidão. Mas não estamos sozinhas. Somos muitas e precisamos nos unir aqui para nos fortalecermos. Não desistam! Este país nos acolheu e aqui fincamos nossas raízes! Vamos usar as oportunidades que nos foram ofertadas e fazer o melhor uso delas!

Lara Felipe
Exposições coletivas

  • 2018 De Sangue e Ossos – Curadoria de Isabel Portela – Vitória – ES
  • 2018 ArtRio – Rio de Janeiro -RJ
  • 2016 ArtRio – Rio de Janeiro -RJ
  • 2015 ArtRio – Rio de Janeiro – RJ
  • 2015 TRIO Bienal Internacional do Rio de Janeiro – RJ
  • 2015  ArtBrazil – ArtServe – Fort Lauderdale – FL EUA
  • 2015 Corpo-Casa – SESC – Vitória – ES
  • 2012 Tomada Cultural – São Paulo – SP
  • 2011 Múltiplos – Galeria Matias Brotas Arte Contemporânea – Vitória – ES
  • 2009 Desvelamentos – Galeria Mastias Brotas Arte Contemporânea – Vitória – ES
  • 2006 Coletiva – Galeria Mastias Brotas Arte Contemporânea – Vitória – ES
  • 2003 Ruído – Museu de Arte do Espírito Santo – Vitória – ES
  • 2002 Desiderata – Museu Ferroviário Vale do Rio Doce – Vitória – ES
  • 2000 Salão Capixaba do Mar – Casa Porto das Artes Plásticas – Vitória – ES
  • Balaio Brasil – SESC Belenzinho – São Paulo – SP
  • 1999 Sedução – Galeria de Arte Espaço Universitário – Vitória – ES
  • 1998 Prêmio Philips de arte – Memorial da América Latina  – SP
  • 1997 Objetos – Espaço Cultural Palácio do Café  – ES

Exposições Individuais

  • 2015 O Peso Exato dessa Leveza – Matias Brotas Arte Contemporânea – ES
  • 2012  Itinerários – Galeria Matias Brotas Arte Contemporânea – ES
  • 1998 Galeria de Arte Espaço Universitário  – ES
  • 1996 Objetos – Espaço de Arte da Caixa Econômica Federal

Prêmios

  • 2015 RIVA Best in Show – ArtBrazil – ArtServe – Fort Lauderdale FL – EUA
  • 1998 1º lugar no PRÊMIO PHILIPS DE ARTE PARA JOVENS TALENTOS – Brasil
  • 2º lugar no PREMIO PHILIPS DE ARTE PARA JOVENS TALENTOS – América Latina
  • 1999 2º lugar no SALÃO YÁZIGI DE ARTES – Vitória – ES

Participou das oficinas/residências:

  • Festival de Verão de Nova Almeida – Oficina de Pintura Katie Van Scherpenberg 1996
  • Festival de Verão de Nova Almeida – Oficina tridimensional – João Mode, 1997
  • Festival de Verão de Nova Almeida – Objetos – Fernanda Gomes, 1998
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